Velharias

Publicado: 16 de junho de 2012 em Uncategorized

Chocalates e papéis de bala. Ingresso amassado da sessão de cinema das 20:00hrs e a nota do café que nos esquentou naquela noite fria de Janeiro. Sonhos no bolso do casaco e saudades esquecida no fundo da mochila. Junto com o maço de cigarro, uma foto sua 3×4 que roubei de sua carteira em um Domingo qualquer no parque da cidade vizinha. Na minha pele, uma tatuagem com seu nome escondida sobre a camiseta que você me deu de natal do Guns. E eu caminho, sem destino e sem pressa. Caminho com nossas velharias que só fazem sentido a mim mesmo. E eu tento evitar os lugares por onde andamos nessa cidade que já não reconheço e me maltrato pensando no seu sorriso que está sendo recebido por outro. Eu não tenho uma solução e não teho uma desculpa para não pensar em você: eu vivo pensando em você, e o pior: pensando em nós, no que fomos! Esquecer seria apropriado, mas significaria esquecer também uma parte de mim. E eu não quero te esquecer.  

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I Know It’s Over

Publicado: 15 de maio de 2012 em Uncategorized

Parece que tudo o que tenho feito nesses últimos meses é ficar pensando em você. Vivo em um filme retrocesso, lembrando o que passamos juntos, dos planos ingênuos que criamos em cima de castelos de areia e das risadas um tanto bestas de coisas simples. E é tudo tão distante agora. Procuro algo que possa me confortar sem ser sua presença e acabo caindo no vácuo do tempo. Penso em me embebedar com uma garrafa de Jack Daniels e mandar zilhões de sms para você no meio da madrugada só para você penceber que o meu amor guardado tem algo de assassino nele.Eu ainda te procuro nos meus sonhos, só que você se encontra sonhando com outro. e isso é a morte.Ouço Please, please, please, let me get what I want dos Smiths e tento, com toda minha força, acreditar que também uma única vez em minha vida algo de bom possa acontecer. Todas as formas de amar se reunem em você, em torno da sua personificação. Loucura isso, mas é minha insanidade, é meu desespero, é o meu sentido de tudo. Tudo bem, eu sei que acabou, mas eu me agarro aos lençõis usados por nós e sinto o chão se abrir aos meus pés e me engolir como o fogo que engole tudo o que se movimenta por dentro de suas chamas vermelhas. Está noite, será como todas as outras, sem sentido, sem amor, para você e para mim.

 

título referente a música que me deu inspiração:  The Smiths – I Know It’s Over

Miscigenado

Publicado: 11 de maio de 2012 em poesia

Sou índio, negro, branco, um brasileiro
Nascido e formado em um país de tempero
onde dançam as flores de afros em terreno

Sou tom, melodia, uma canção
o samba de Caetano junto com a mpb de Adorinan
o metal do birinbal gritando por comoção

Liberdade é vento sobre minhas asas;
brisa tocando de leve a minha cara;
sonhar utopia em tempo de não harmonia;
é respeito por aqueles que me querem no inferno.

– Paz e amor! um grito calado no peito
então me diz: o que é ser feliz?
ar, água, um sempre acreditar
o que vou levar para o meu leito?

Nação de Zumbi dos Palmares
filhos de Anita Garabaldi
Apadrinhados por Chico Mendes
Façam o sangue derramado ser algo lembrado.

Separação

Publicado: 6 de fevereiro de 2012 em micro-conto

– Fica comigo?

– eu não posso…

– por que?

– está tudo tão pesado…

– eu te amo!

– Eu sei, mas…

– você não me ama mais?

– Não é isso,é que o meu amor por você envelheceu, não enxergo mais você em mim, me entende?

– claro que não! Minha vida se resume a você e você, você mesma me disse que não respirava sem mim.

– disse em um momento de felicidade, quando éramos um só, hoje não te reconheço.

– me diz o que eu posso fazer para você me ver novamente?

– não há nada a ser feito, temos que seguir cada um o seu caminho!

– meu caminho é você

– NÃO! Sua dependência tornou você um estranho, não consigo mais lidar com esse peso

– você não pode me abandonar…

– não estou. Estou abandonando o que não somos

– e o que somos?

– eu não sei.

– eu te amo!

– não faça isso consigo mesmo, você tem que me deixar ir.

– não me deixa, fica comigo

(…)

Olhou para os olhos de Henrique e se desfez em água por dentro. Não suportava mais as cobranças, os ataques de ciúmes, a foda sem prazer, a casa com cheiro de hortelã e o vinho barato de todo sábado. Ela tinha se perdido dentro de um relacionamento afundado pela desordem humana. Pegou sua mala que havia deixado na cozinha e sem dizer nenhuma palavra, passou pela sala onde Henrique se encontrava de joelhos no chão, e saiu em direção a rua, deixando apenas o eco da última batida da velha porta de madeira do velho apartamento no centro da cidade.

(…)

Henrique soluçava. O apartamento vazio e silencioso ecoava o grito da ausência e a dor de um amor há muito tempo perdido. Estava sozinho e sem rumo. Continuava debruçado ao chão da sala. O mesmo chão que em tempos de felicidade, costumava dançar e a transar com Manuela, a jogar cartas com ela e amigos, a deitar e se refrescar em tardes quentes. Pela janela o crepúsculo ia se pondo, dando espaço para uma noite triste e escura, sem estrelas e sem lua. Henrique carregava o arrependimento e a decepção dentro de seu peito velho e atormentado. Sabia que era o único culpado pela separação. Com algum esforço, levantou-se e acendeu um cigarro. Não sentia nada, estava anesteciado com tanta dor. Caminhou vagamente até o quarto, abriu a gaveta que Manuela guardava suas calcinhas, olhou perdidamente o espaço vazio da gaveta e se atirou na cama em prantos. Dormiu após meia hora de choro.

Cabelo Negro

Publicado: 31 de janeiro de 2012 em poesia, Uncategorized

Faço versos em mesa de bar
Faço olhando seus olhos densos
Danço na rua Augusta- e choro
Danço porque assim você me olha

Rio do seu cabelo negro bagunçado
e do seu sorriso de menino acanhado
e fico tímido- porque você me viu chorar
mas oras, qual homem não chora?

Então a gente se despede e tudo fica bem
As vezes a amizade dura, as vezes eu nem sei
Mas tudo que sei é que eu nada almejei

Toca na augusta em algum bordel, um tango
Acendo mais um cigarro e esquento a cerveja
Comemoramos a falta que temos- a gente dança
Gente feita para se acabar, tu e eu, menino

E eu me perco nos becos e ruas
mas continuo a rir do seu cabelo
Não por maldade e sim por admiração
Teus cabelos tão negros fazem os meus tão seus.

Publicado: 22 de janeiro de 2012 em Uncategorized

O bom do amor é que podemos amar várias vezes.e o amor, esse não tem explicação.

Amém, meu senhor

Publicado: 10 de janeiro de 2012 em poesia

Filho da democracia, pequeno burguês
Alimenta a devoção de uma nação
Por meio de teologia que nos torna freguês
Do conservadorismo cego ideológico

Senhor sexista pregador
Fazei de mim um pecador
Por amar o sexo semelhante
Por um Deus que cega o meu amante

Senhor jurista protetor
Acusai-me de ser tóxico
Por me aventurar no subconsciente
Por provar a miséria da mente.

Acusa-nos senhor, por sermos diferentes
Por não crer na fé inabalável
Por não crer em seu filho democrata
Por lutar por liberdade e legalização

Queimem então, meu corpo velho
De mágoas e desesperança
Queimem a carne, maltratada e linchada
Carne essa: velha, maltrata e humilhada

Amém, meu senhor!
Eu viverei até quando na clandestinidade?
Amém, meu senhor!
Eu cairei pela liberdade

Um Drink e Um Cigarro

Publicado: 27 de dezembro de 2011 em Uncategorized

Estou perdido. Ou melhor, me perdendo do que sou.  As portas que eu tentei abrir do céu se fecharam para sempre. E eu omitindo de mim mesmo que estou sozinho, continuo a buscar outras portas para abrir. E cada vez que me deparo com uma escada nova, eu recúo e corro na direção oposta e deixo a escada e a porta para trás. E esse movimento é continuo, inabalável e imutável. Faço os mesmos caminhos de outras pessoas e me sinto usurpando o passo de cada um. Mas eu não sei qual é o meu caminho e quais são os meus verdadeiros passos, então, eu tento inultimente fazer os caminhos dos outros, não me importanto com o meu próprio.  E  vago por tantas ruas sem nomes, vago sonhando no que eu poderia ser, no que eu quero ser (…) no que eu já vivi e no que eu ainda vou viver e mesmo estando perdido, me brota um sorriso quase voluntário pensando naquela canção francesa que um dia você sussurro em meu ouvido e isso faz meu coração acelerar em ritmos quase musicais. É nesses instantes que algo de bom brota em minha cabeça e eu penso: “é lá que eu devo me achar” . Então busco o caminho que eu já havia feito, percorro aquelas mesmas ruas sem nome e corro, deixando para trás apenas aquelas portas que eu não consegui abrir e voltando para aquela que um dia eu entrei e fui eu. Mas quando chego a sua frente, vejo que está trancada, fechada com uma chave que não conheço e desesperadamente eu bato, bato, bato, bato…e ninguém me atende. Ouço no fundo da cidade uma canção tristonha e vou procurar um bar. Já não quero mais pensar nesse labirinto de portas e escadas que minha mente insiste em fazer. E eu fora do meu estado de transe, me embebedo e choro no meio da rua Augusta, fumo mil cigarros e vejo o rosto salvador daquele que um dia me fez feliz e penso que mesmo na minha ilusão louca, ele estava ali para me salvar e levar para casa e em casa eu não precisaria beber até cair e fumar mil cigarros. E em casa eu estaria salvo com ele, eu não estaria mais perdido, não estaria mais sozinho e frio e eu estaria do outro lado da porta. Porém, não era o rosto dele de verdade, eram rostos sem vida, sem expressão, sem afago, eram rostos de outros não o dele. O mesmo sentimento volta, a mesma necessidade de fulga, o mesmo hábito, o mesmo caminho, e eu já não penso mais nas portas e nas merdas de escadas, penso somento em anestisiar a solidão com mais um drink e um cigarro.

O tempo e o Sentir

Publicado: 8 de dezembro de 2011 em Fragmentos

Paro e observo o tempo e suas diretrizes. Vejo como a vida se faz surpreendente em cada nova página. e junto com a vida, os nossos sentimentos diversos. são tantos, que algumas pessoas como eu, acabam se confundindo. são tantos os sentimentos e são tantas vidas que colidem com as nossas que chegamos a acreditar que certas coisas vieram para ficar, mas que na verdade vieram só de passagem. transitivo. tudo é transitivo, até o amor eterno de dois amantes se transforma em companherismo, mas nem por isso, deixa de ser amor. talvez, seja essa a perfeição da vida.

sou nostálgico, gosto de recriar o que eu já criei. as vezes, uma lata de cerveja e um maço de cigarro fazem meu dia ser feliz. outras vezes, o sorriso sincero de amigos e um abraço caloroso de quem eu amo. as formas de felicidade não importa e sim sua essência. isso eu chamo de expandir o limite, seja o de sentir ou o de pensar. são todas as formas de sentir. sentimentos.

meu aconchego é dentro.enquanto o mundo corre para shows, trabalho, bar e tudo, eu fico vagando nas penumbras dos meus pensamentos. e neles, eu revejo, analizo e sonho. um sonhador é o que sou. e não poderia ser diferente. mas o tempo, esse que é o senhor de tudo, me mostra que nem sempre tudo é trevas. e isso me faz continuar.

101 rosas

Publicado: 28 de novembro de 2011 em Fragmentos

Tudo a minha volta se desfaz com a água da chuva do mês passado. E eu choro. Entre mil rosas roubadas que dei para você, que agora é sem rosto, restam 101 e eu não sei o que fazer com elas, além do habitual bem me quer, mal me quer. Entre um cigarro e outro, faço um suco de laranja, coloco gelo e rum. R.E.M. e Maria Bethânia fazendo os prantos mudos gritarem dentro do meu peito amargo coisas de amor, do nosso velho amor. Os dias estão sendo assim: discos, cigarros e melancolia. Dentro de mim cabe uma vida toda, mas eu não vejo motivo para permitir. Me reinvente como um sonho, aquele sonho que tínhamos. Dentro de si resta algo que seja meu? Suporto todo tido de dor, menos a dor de ser esquecido, ainda mais por você, que vivi tão intensamente vivo dentro de mim. Todas as formas de amor são lindas e são pesadas, os fortes ignoram, os fracos como eu, as idolatram.

Não me chame pelo interfone quando sua carência sexual lhe acender e não me faça promessas da qual no dia seguinte você não vai cumprir. Você não vê que estou doente? Que sofro de uma dor cronica que se chama ausência? Eu não quero te jogar todas as merdas que sinto em cima de você, é só que está sendo muito insuportável pensar num mundo aonde eu não tenha seus abraços para me esconder. Meu jardim está morto e suas rosas estão secas, salvo aquelas 101 que eu roubei de outros jardins para te presentear. Escrevi cartas de amor para você e as queimei no segundo seguinte. E eu continuo a chorar ouvindo qualquer tango com um choro de violino; só choro, pois não sei mais dançar no escuro.

Tudo bem que você ri desse meu lamento alá ultra-romantico, eu não me importo, sou motivo de piada para os outros e para mim mesmo. Fique ai na sua, com sua vida, seus amigos, seus outros e novos amores, faculdade e suas tentativas frustradas de parar de fumar. Faça da sua vida a mais bela porra que você conseguir, hoje minha vontade é mandar você se foder. E quem sabe mais tarde, quando o disco do Arctic Monkeys acabar eu não ligue de madruga na sua casa e quando você atender com sua inconfundível voz de sono eu não diga: ‘Seu otário, vai se foder’ e desligue o telefone com o coração em batimentos muito acelerados. Mas na verdade, eu não tenho mais coragem de te ligar, nem se for para te xingar. Tudo que eu queria realmente é que você desaparecesse da minha vida e levasse o restantes das mil rosas que eu roubei para você.